O apagão de mão-de-obra qualificada

Tema recorrente, evidente neste momento em que nosso país experimenta índices emergentes de crescimento econômico: a falta de mão de obra especializada. Vejo a imprensa no seu papel de divulgar, cobrar e estimular a profissionalização. Empresários e população reivindicarem mais escolas técnicas e o Governo dizer que faz e acontece, e que vai fazer mais e acontecer mais.

É ProUni, é a universidade se interiorizando, escolas técnicas se espalhando em cidades menores e nossas entidades cobrando mais ensino profissionalizante. Entretanto, nossas associações empresariais estão esquecendo de cobrar por meio de uma forma mais incisiva a melhoria do ensino básico e de nível médio que são a base do ensino profissionalizante. Precisamos de aprendizes que aprendam!

É necessário que nossas escolas públicas cumpram seu papel de entregar para a profissionalização, seja no ambiente escolar, seja nas empresas, cidadãos preparados e aptos a aprender. Recebemos hoje, em grande parte, uma garotada de analfabetos funcionais que lêem, mas não compreendem; que escrevem, mas não comunicam graças ao péssimo ensino que se pratica em Alagoas, quiçá na maior parte do Brasil.

Talvez porque nossos filhos, vindos de classes formadoras de opinião e da classe política, estudem em escolas privadas que conseguem suplantar a mediocridade, não tenhamos nosso foco tão voltado para um ensino básico de qualidade e bradamos que precisamos de ensino técnico qualificado para nossas empresas, para nossas instituições.

Na realidade, hoje, as empresas já cumprem grande parte do papel do Estado na formação da sua mão-de-obra. Entretanto, a dificuldade é enorme para lapidar uma massa bruta que chega despreparada para aprender o que seria do nosso papel, ensinar a saber como trabalhar.

Vamos todos cobrar o ensino profissionalizante, sim! Mas vamos todos EXIGIR que o estado faça o seu papel de alfabetizar e dar a formação básica para uma coitada geração que chega ao mercado e que não consegue ser absorvida, nem evoluir. Ensino básico já!

Luiz Antônio Jardim

É diretor de Planejamento da CDL de Maceió
e diretor executivo de Casas Jardim

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Voltar